
O Comércio local, a rua das lojas e o Aqua
Todos nós sabemos que dentro em breve o grande local de romaria da cidade irá passar a ser o novo centro comercial Aqua a abrir portas brevemente. Assim sendo e por força das circunstâncias mais um mal para o comércio tradicional se cravou na nossa cidade.
E agora que fazer para minimizar este impacto? Aceitam-se sugestões procuram-se ideias simples e económicas de fácil implementação e eficientes, pois nos tempos que vivemos não nos podemos dar ao luxo de grandes voos.
Vou aqui deixar uma ideia e fico a aguardar pela colaboração de todos no sentido de encontrarmos ideias e soluções válidas que sirvam para sairmos da estagnação em que nos encontramos.
Para começar vou recuar uns anos e recordar uma experiência que foi efectuada na nossa cidade no principio dos anos 90 com o então Eng. Nuno Mergulhão vereador e posteriormente presidente da CMP.
Nesta época e em colaboração directa com a ACP (Associação comercial de Portimão) foi proposto que o comércio na cidade estivesse aberto todas as sextas feira à noite a partir da ultima semana de Junho e até à primeira semana de Setembro se a memória não me falha. (nesta época ainda não existia a Alameda) foi criada alguma animação de rua com ranchos folclóricos a actuar no largo da Mó. Lembro que inicialmente havia a recusa de alguns comerciantes abrirem os seus estabelecimentos à noite mas poucas semanas depois de a medida estar implementada e de se ter verificado que havia turistas a circular pela cidade aqueles acabaram por aderir. A divulgação desta iniciativa foi efectuada directamente através de panfletos e comunicação aos operadores turísticos e às unidades hoteleiras da região. Durante este período verificamos que não era só o comércio mas toda a restauração que aumentava a sua facturação nas noites de sexta feira. A cidade ganhava com isso.
Tudo isto foi passado mas que surtiu efeitos directos e se repercutiu por todos.
O horário de funcionamento do comércio tradicional continua completamente desfasado da realidade e dos modos de vida actuais assim como os horários dos transportes públicos como comboios, carreiras regulares entre Portimão e povoações vizinhas mantêm-se inalterados há dezenas e dezenas de anos. Os transportes servem para servir as populações e as suas necessidades e não são as pessoas que se têm que acomodar aos horários existentes. A oferta deve se adaptar à procura e às necessidades que existem. E tal não acontece na nossa cidade. (Excepção ao Vai e Vem que não sendo perfeito é o melhor que a gente tem).
Então vamos começar, em primeiro lugar e durante o período de Verão o horário do comércio tradicional deveria ser ou alargado ou então igual ao dos nossos vizinhos espanhóis. (10h-13h 17h-22h) analisem a facturação do período das 15h às 17h vão verificar será uma hora de pouca facturação.
Com o comercio aberto diariamente até às 22h sugiro que seja criada através de toda a zona comercial partindo da zona ribeirinha (onde se situam as maiores zonas de estacionamento da cidade) sinalética colocada no pavimento do tipo “Aqua 10 minutos a pé, 7 min, 5 min, 3 min. etc.” e ou em pequenos placards indicando um percurso pedonal até ao Grande Santuário Aqua. Este percurso atravessa toda a nossa cidade passando pelas artérias comerciais fazendo com que os turistas se percam contemplando as montras e consumam durante todo o percurso. Mais vale circular a pé do que ir de carro seja ecológico e olhe pela sua saúde!
Em Portimão na zona Ribeirinha foi criado o calçadão como muitos o chamam e durante o verão as pessoas circulam por ele aos milhares podemos vir da Praia da Rocha até ao Arena sem qualquer problema porque não fazer o mesmo a atravessar a nossa cidade.
Os mais velhos lembram-se certamente quando existia o mercado na primeira segunda feira do mês no largo Gil Eanes. Os turistas que nos visitavam e estavam alojados na Praia da Rocha e atravessavam toda a cidade.
Ao longo dos últimos anos e com a deslocalização dos serviços e acontecimentos da parte velha da cidade esta aos poucos foi ficando deserta e sem vida. As pessoas deixaram de ter necessidade de circular por lá.
Comparável com uma calçada à Portuguesa muito bonita, se não existir tráfego a utilizá-la aparecem as ervas a crescer entre pedras e depois gastamos dinheiro a eliminá-las. Então se calhar não precisávamos de uma calçada naquele lugar bastaria um caminho de terra.
A deslocalização destes serviços do centro da cidade (Tribunal, Cartório notarial, conservatórias, Repartição de Finanças, serviços técnicos da CMP, mercado Municipal, Cinema, e a própria banca com abertura de sucursais fizeram com que as pessoas deixassem de ter necessidade de se deslocar ao centro, com consequências directas no comércio tradicional e toda a zona velha da cidade.
Se a retirada destes serviços tivesse sido complementada de imediato com substituição por outros mesmo que de menor dimensão então não se teria perdido a circulação de milhares de pessoas no centro da cidade.
Termino deixando esta pequena contribuição e esperando por mais sugestões. Se arranjarmos soluções válidas só temos que posteriormente apresentá-las a quem decide pedindo a sua execução.
Por Portimão
JM










