terça-feira, 5 de abril de 2011

Câmara de Portimão e associações de comerciantes assinam carta de compromisso para apoiar sector

A Câmara de Portimão, a Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) e a Associação Comercial de Portimão (ACP) assinaram segunda feira uma carta de compromisso que visa a resolução de um conjunto de situações consideradas de intervenção urgente devido à crise no sector.


Entre as medidas em causa, estão o faseamento na aplicação das novas taxas, o ordenamento de trânsito e diversas intervenções na principal área do comércio tradicional da cidade, uma nova sinalética e a criação de uma rota turística a partir do porto de cruzeiros de Portimão e até ao centro da cidade.


O presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel da Luz, considera que se trata de “um valioso documento que deve ser estudado e aplicado no terreno de forma muito concreta, para promover e dinamizar o comércio local, que atravessa uma conjuntura dificílima”.


No que toca às matérias de publicidade e propaganda e aos regulamentos de taxas e tarifas municipais, cuja aplicação será faseada de acordo com um cronograma a definir entre as associações e a autarquia, o autarca considera que o mesmo “vai implicar um esforço muito grande da câmara, mas que terá um alcance indiscutível em prol do comércio tradicional”.


Segundo Manuel da Luz, “a grande preocupação a partir de agora é operacionalizar as medidas acertadas e irmos em frente, para ganharmos o centro urbano de Portimão”, realçando a propósito o “sentido de responsabilidade muito grande manifestado nesse sentido pelas associações de comerciantes”.


O reforço da limpeza nas zonas mais comerciais, intervenções de manutenção e embelezamento do espaço público, e a substituição de mobiliário urbano são outras medidas a lançar, assim como a isenção de taxas em ações específicas de dinamização e promoção daquela zona comercial, quando organizadas pela UAC ou associações de comerciantes, assim como a desburocratização dos processos relativos às mesmas.


Para o presidente da ACRAL, João Rosado, o acordo agora estabelecido “consagra o princípio do utilizador recebedor, uma vez que as receitas pagas pelos comerciantes na área de intervenção do UrbCom serão agora reinvestidas na promoção do comércio tradicional, o que poderá servir de exemplo para outras cidades”.


Também destacou o facto de Portimão ter “uma grande mais-valia que é o porto de cruzeiros, desde que bem rentabilizado em termos de marketing territorial”.


Quanto a Paulo Pacheco, presidente da ACP, congratulou-se com a iniciativa, reforçando a ideia que “é muito bem-vinda, especialmente porque a componente empresarial ligada ao comércio se encontra bastante debilitada”.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ainda a propósito das taxas. Publicamos este texto que recebemos de um comerciante que nos pediu anonimato.

Recebemos este texto por e-mail, de um comerciante desta cidade.

Nós sabemos a sua identidade, porém ele pediu-nos que ao publicarmos este seu texto o fizéssemos, preservando a seu anonimato.

Disse-nos que apesar de ser crítico em relação a este regime de taxas, e de ter vontade em dizer o que lhe vai na alma, tem receio de represálias.

Assim, aqui o fazemos, tal qual como nos foi pedido.


Agora convosco, um comerciante de Portimão:



"Meus Senhores,

Analisando a informação sobre o vosso regulamento de taxas e partindo do pressuposto que o que pretendem é uma caça ao dinheiro para fazer face às despesas que têm vindo a efectuar durante todos estes anos verifico que se esquecem de taxar coisas importantíssimas que certamente trariam muitos milhares de euros de receita aos cofres do Município:

Estendais de roupa coisa esteticamente bela e que se encontram por toda a nossa cidade tanto em prédios novos como antigos, poderiam ainda taxar a roupa e criar uma taxa para as peúgas, as cuecas as calças etc. Imaginem o dinheirão que iriam receber. Poderiam também criar uma taxa para a sombra que os prédios produzem retirando a possibilidade de outros poderem usufruir da luz do SOL que é um fonte de energia não poluente mas que só alguns podem aproveitar. Como é que os Srs. desejam que os munícipes olhem para estas medidas se elas são tão caricatas e absurdas.

Em primeiro lugar e começando pelos aparelhos de ar condicionado a Câmara Municipal deveria ser a primeira entidade a dar o exemplo e mostrar a todos como se instalam aparelhos de AC sem serem visíveis da rua. (Rua Pé da Cruz) fachada lateral da CMP. Será que este também irá pagar taxa?

Os Srs. sabem ou se não sabem os serviços técnicos sabem que a instalação de muitos aparelhos de ar condicionado que encontramos por toda a cidade têm a ver com o técnico que os instalou por este ter agido da seguinte forma: Escolheu o sitio que menos trabalho lhe dava, nunca se preocupando com a estética ou qualquer outra preocupação, e o pendurou onde não devia.

Os serviços de fiscalização da Autarquia viam e não diziam nada e passados todos estes anos vêm aplicar uma taxa como forma de regularizar o que se encontra em situação irregular. O que interessa é pagar taxa o resto já ninguém quer saber.

A autarquia deveria ter uma posição de conselheira sobre o assunto aproveitando os recursos técnicos que possui, daria uma imagem pela positiva apresentando soluções para o problema e ao mesmo tempo melhorando o impacto visual que tais aparelhos criam. Não é criando caixas de alumínio para ocultar os aparelhos que estes ficam mais estéticos. Verifiquem o que encontram na Rua do Comercio e Vasco da Gama Rua Direita e digam de vossa justiça se por acaso melhorou o que está lá instalado. Só piorou o desempenho da máquina que tem de trabalhar no seu interior tornando-a menos ecológica e aumentando o consumo de energia. Quem ganhou? Ninguém todos ficamos a perder.

As antenas e Antenas Parabólicas – Outra realidade que temos na nossa terra mas de mais fácil e económica resolução que os AC. Basta colocar mais uns metros de cabo e todas passarão a estar fora do anglo de visão de quem circula na rua. Mas com a vossa medida ainda incentivam ao aparecimento de mais antenas é mais barato pagar a taxa do que comprar uns metros de cabo. È isto que os Srs querem? As antenas que irão pagar uma taxa mais elevada aqui na cidade serão certamente as antenas da CMP e da PSP. Já agora poderiam englobar nesta alínea as torres de iluminação do Estádio Municipal.

As flores envasadas – Outra ideia genial e que de certeza todas corroboram. Porque será que elas existem? Não me digam que não têm resposta para esta pergunta. Será que elas existem porque alguém pensa tornar a via pública numa exploração de floricultura e sai mais barato o mt2 de terreno no centro da cidade do que comprar ou alugar um terreno na periferia? Se calhar a resposta é mesmo esta….. Pois bem elas só existem penso eu como forma de embelezar um espaço, um canto, ocultar algo que se encontra em piores condições criar um ambiente mais bonito ou acolhedor, delimitação de um espaço previamente concessionado como por exemplo uma esplanada etc. Será que as flores envasadas e colocadas nas sacadas dos edifícios também irão estar sujeitas à referida taxa? Queremos beleza desejamos harmonia e temos de pagar taxa. Esta nem no tempo dos Romanos existia.

Arcas dos gelados – Com esta concordo plenamente mas certamente não irão arrecadar tanto dinheiro com a medida uma vez que vemos cada vez menos arcas a ocupar a via pública. Estas eram constantemente vandalizadas e sai mais barato não as ter do que andar sempre a reparar o irreparável. Se as Arcas tivessem o mesmo serviço de segurança que têm os parcómetros de certeza que haviam muitas mais.

Grelhadores – Será que com esta medida iremos ter novamente a cidade impestada com o fumo dos grelhadores? E bastará tirar uma licença e pagar uma taxa para dizer “ O meu está licenciado, não podem fazer nada contra” ou já se esqueceram o que era o antigo lugar das sardinhas assadas e que os Srs. mataram completamente, uma das grandes atracões que tinha a nossa cidade?. Eles trabalhavam todo o ano e agora onde estão? Quantos dias trabalham de Inverno, há dias que nenhum abre portas. Acabaram com a tipicidade, acabaram com o negócio mataram parte da cidade. E agora querem taxas?

Porque será que na nossa cidade as coisas são sempre tão bem tratadas. Será que não existe visão, será que não conseguimos vislumbrar o futuro? Será que sentados numa secretária projectamos sem ter a mínima noção de como tudo funciona, como circulam as pessoas pela cidade o que fazem o que procuram, o que necessitam? Será que não temos de observar primeiro fazer um levantamento exaustivo da realidade actual e depois encontrar as melhores soluções. As rotinas quebram-se e dificilmente se encontram novamente, as pessoas se dispersam e procuram outros lugares porque foram privadas durante algum tempo (por vezes demasiado) daquilo que tinham e precisavam. Isto tem acontecido com a nossa cidade ao longo destes últimos anos e por isso nem sempre as obras que se fazem têm tido o impacto que desejamos.

A bem de Portimão escrevo estas linhas para alguém ler e meditar."


Um anónimo comerciante desta cidade de Portimão.

domingo, 3 de abril de 2011

Reunião da Assembleia Municipal - aprovação do novo regulamento de taxas

Novo regulamento de taxas




Amanhã, dia 4 de Abril às 21:30, em reunião extraordinária da Assembleia Municipal vai ser aprovado este novo regulamento de taxas e tarifas da câmara municipal de Portimão.


Pará lá do draconiano plano de saneamento financeiro, para lá do gigantesco passivo de 254 milhões de € e para lá do imenso desequilíbrio financeiro que a CMP tem, aqui vem mais uma forma de nos fazer a todos pagar pelo que fizeram.


Isto, junta-se ao IMI pago à taxa máxima e ao facto de pagarmos a agua a um dos preços mais caros da região.


Vai ser assim que a CMP vai equilibrar as suas contas. Com mais impostos sobre nós.


Vão reduzir despesa estrutural? Vão reduzir regalias às administrações das empresas municipais? Vão tentar aumentar a eficiência?


Não. Vão nos sacrificar. Numa altura em que estamos com 20% de desemprego e com o comércio na falência.


Amanhã, vamos lá estar.


Apareçam também.

quinta-feira, 31 de março de 2011

1.ª Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal da Câmara Municipal de Portimão - Estivemos presentes e intervimos



No dia de ontem, dia 30 de Março, tivemos a 1.ª Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal da Câmara Municipal de Portimão.

Nesta sessão encontrava-se definido a seguinte ordem de trabalhos:
1. Período de intervenção dos cidadãos.
2. Período da ordem do dia:
a) Discussão e votação das alterações das alterações ao plano de saneamento financeiro conjuntural, nos termos nº 2 e 3 do artigo 40º da lei nº 2/2007 de 15 de Janeiro «finanças locais.
B) Discussão e votação da autorização para que a CMP possa introduzir alterações resultantes de imposições ou orientações transmitidas por parte do tribunal de contas.
C) Discussão e votação da aprovação e autorização de contracção autorização dos empréstimos bancário de médio e longo prazo no âmbito do plano de saneamento financeiro, no montante global de 94.450.000,00 €.
D) Discussão e votação do regulamento de publicidade e propaganda do município de Portimão.
E) Discussão e votação discussão do regulamento de tabelas de taxas e tarifas do município de Portimão.


Nós, Portimão Sempre, estivemos presentes, não só a observar e a ouvir, mas também a intervir.

Essa intervenção foi efectuada por um dos membros do Portimão Sempre, João Pires.

Para quem não esteve presente transcreveremos, de seguida, o conteúdo do texto que serviu de base à referida intervenção.

“Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal,
Meus senhores e minhas senhoras,

O meu nome é João Pires.
Sou um cidadão anónimo.
Não tenho qualquer filiação partidária.
Sou apenas um eleitor.
E é nessa qualidade que venho hoje aqui falar.

E a razão porque o faço é o momento em que vivemos.
Tanto a nível nacional, como aqui a nível local.
Porque existe um paralelismo entre estas duas realidades.

Vivemos tempos conturbados.
Vivemos tempos de pré-tumulto.

Há coisas que são responsabilidade do comum dos cidadãos.
No, entanto há coisas pelas quais, o comum dos cidadãos não é responsável.

A governação da coisa pública é uma delas.
E é nesta questão que me vou focar nesta minha intervenção.

Hoje, vai ser aqui discutido mais uma vez, o plano de saneamento financeiro.
Plano esse que servirá para equilibrar, defende este executivo camarário, a situação financeira da autarquia.

Meus senhores e minhas senhoras,

Desejo dizer-vos o seguinte:
Entendo perfeitamente que este plano é inevitável e até necessário, porque sei que a situação vivida não deixa outra escolha.

Mas compreendo também que este plano, é significado do vosso falhanço na gestão desta autarquia.

Este plano, que na prática é uma espécie de intervenção do FMI à escala local, visa solucionar um problema que foi causado por vós.

Anos de descontrolo financeiro e de desequilíbrios estruturais endémicos fragilizaram a autarquia.
Tal e qual como a nível nacional, no caso dos crónicos défices orçamentais que resultaram na dívida externa imensa que temos.
E que acabam por nos por à beira de uma intervenção externa.
A vossa gestão trouxe-nos aqui.
A um passivo de 254 milhões de €.
Como somos perto de 50.454 munícipes, corresponde a sensivelmente 5000€ por cada um de nós.
5000€ de dívida por cada um de nós!

Chegámos aqui.

Mas há uma coisa que gostaria de vos perguntar?
Estes recursos financeiros que foram gastos (para lá da razoabilidade), que resultados obtiveram?

Refiro-me a resultados verdadeiramente importantes para a população.
Não estou a falar de museus ou de teatros.
Porque isso, qualquer autarca faz.
São, apenas activos tangíveis.

O importante neste momento para as populações, são os intangíveis:

Temos por exemplo um desemprego abaixo da média nacional?
NÃO!
O município de Portimão (e reforço o município de Portimão, não a zona deste centro de emprego) apresenta um desemprego de 19,6%!
20%!!

É o quinto município com maior desemprego a nível nacional!
Havendo 308 municípios em Portugal, existem 303 cuja performance das suas equipas executivas é melhor do que a vossa, neste aspecto!

Isto significa que na prática, cada um de nós tem alguém de muito próximo, senão nós próprios, no desemprego.

Do ponto de vista económico, temos o comércio na falência.
A indústria é inexistente.
O turismo que temos, é orientado para a fraca qualidade.
Consequentemente gera pouco valor.

Em suma, não temos um modelo de desenvolvimento económico que crie oportunidades para os empreendedores, e emprego para as pessoas.

A meu ver, e ainda acerca dos resultados, só existem para mim duas alternativas:
Ou investimos e obtemos resultados;
Ou não obtemos resultados, mas também não investimos.

Os senhores conseguiram gastar e não obter resultados.


Meus senhores… É preciso ter talento!!

Já foi aqui referido que a grande responsável por este estado a que chegámos, é a crise económico-financeira que se abateu sobre nós.
Esta afirmação tem o seu fundo de verdade.
Mas não explica tudo.

É que esta crise atingiu a Europa inteira.
Mas Portugal sofre muito mais do que por exemplo, a Holanda ou a Dinamarca.

Por cá atingiu todos os 308 municípios do país.
Mas, Portimão sofre muito mais do que outros.

E a questão aqui é:
O que é que foi feito para tornar Portimão, robusta contra estes cataclismos?
Ou melhor:
O que é que não foi feito?

É que os senhores tiveram tempo para fazer.

Eu nem vou pelos 36 anos de consulado socialista aqui em Portimão.
Bastam os últimos 11 anos.

Nestes últimos 11 anos, houve tempo para por em prática uma verdadeira estratégia de desenvolvimento.
Uma que fosse assente no concreto e real e não apenas no aparente.

A nossa Vox Populi ou a nossa voz da rua, costuma dizer que o trabalho realizado pelo anterior Presidente da câmara foi real.
Que foi e é real!
Acerca do presente trabalho realizado pelos senhores, é dito que é apenas aparente.
É apenas para aparecer no mapa.
Para parecer bem.

Isto é dito.
É dito que este executivo é uma sombra do que foi presidido pelo anterior Presidente.
É dito, que nessa altura se sentiu diferença na cidade.
É dito que o desenvolvimento foi real!
Concordem ou não, isto é dito.
É voz corrente.

E mesmo que os senhores discordem, pergunto-vos:
A vossa estratégia “de por Portimão no mapa” resultou?
Resultou em desenvolvimento sentido pelas populações?

Temos um desemprego abaixo da média?
Temos um comércio forte?
Temos indústria?
E o turismo, é de qualidade superior? Gera resultados superiores?

Em suma, os resultados são bons?

NÃO!
SÃO ZERO!


Meus senhores, este é o vosso legado:
Desemprego;
Falência;
Inexistência de desenvolvimento;

Este é o vosso legado!
Esta é a vossa obra!

Desejo ainda dizer o seguinte:
Apesar disto, os senhores estão aí.
E estão porque conseguiram vencer as eleições.
E isso aconteceu, não devido inteiramente ao vosso mérito, mas devido ao vosso demérito (oposição) [focar na oposição].

Aqueles senhores (bancada do PS) estão ali, porque os senhores (oposição) também falharam.
Falharam não só em expor as falhas e fragilidades da sua governação, mas sobretudo e mais importante, porque:
Falharam em assumir-se como alternativa credível aos nossos olhos de eleitores!

A responsabilidade também é vossa.
É já tempo de se redimirem.

Nós, cidadãos, também devemos assumir a nossa responsabilidade.
A nossa ausência e alheamento contribuíram em muito, para que chegássemos a este estado de coisas.

É também tempo de nos redimirmos.

Em conclusão, apenas digo que:
Essa redenção virá pela vigilância e pela acção!

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal:
Para finalizar esta minha intervenção, desejo apenas desculpar-me por este meu tom.
Porém, este tom é o tom do vulgar e anónimo cidadão que tenta viver nesta cidade com dignidade.


Agradeço a vossa atenção.

Disse.”

Esta intervenção replete a nossa preocupação que, de certeza, é comum a muitos do munícipes desta urbe.


De referir que esta Sessão Extraordinária irá continuar numa 2.ª reunião que se irá realizar no próximo dia 4 de Abril (segunda-feira).

Nesta 2.ª reunião estará em discussão e votação o regulamento de publicidade e propaganda do município de Portimão e o regulamento de tabelas de taxas e tarifas do município de Portimão.

Estes regulamentos se forem aprovados irão, certamente, penalizar muitos de nós.

Por isso é importante que mais uma vez estejamos presentes e atentos ao que ai se irá passar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ajuda para a pequena Maria




A guarda da GNR Sónia Costa,
http://www.facebook.com/profile.php?id=100001005112958

Enviou-nos a seguinte mensagem:
“Então amigo posso contar contigo para dador para a próxima campanha de dadores de medula?Se estiveres interessado diz-me alguma coisa pois temos que agir rápido antes que a Maria desista de lutar.
Eu sei que sou chata mas cada dia que passa pode ser o último da menina e dos outros meninos que estão lá a morrer à nossa espera.
Se quiseres ajudar diz e por favor fala com os teus amigos e convence-os a ajudar, hoje são estas crianças amanhã quem sabe somos nós,ninguém está imune.
Alguma dúvida liga-me 969524821 e sou moche. Pensa e diz qualquer coisa por favor, novamente por favor. “

Esta iniciativa foi noticiada pelo jornal Correio da Manha, transcrita abaixo:

Quartel solidário aberto a dadores

Maria Sousa, de 9 anos, não pôde estar presente. Está internada no Instituto Português de Oncologia (IPO), em Lisboa, com uma leucemia linfoblástica aguda. Mas foi por ela que largas dezenas de pessoas se deslocaram ontem ao quartel da GNR em Portimão, para dar sangue como candidatos a dadores de medula óssea. Uma iniciativa da soldado Sónia Costa, para ajudar todas as crianças que precisem de transplante.

A pequena Maria, que também é diabética insulinodependente, foi o rosto da campanha, até com página no Facebook, intitulada ‘Ajudem a Maria Transplante de Medula’. Mas a ideia solidária de Sónia, de 33 anos, partiu do caso de Ana Filipa Bessa, de 5 anos, filha de um GNR de Monchique, a quem foi diagnosticada uma leucemia, em Dezembro, ao mesmo tempo que Maria. As duas eram colegas de quarto no IPO e "tornaram-se grandes amigas", disse ao CM o pai, Pedro Bessa.

Ana Filipa ainda está a fazer quimioterapia, mas esteve ontem presente na acção de colheita. Sónia começou a fazer a lista de candidatos a dadores pensando em Ana Filipa, mas depois deu à campanha o rosto de Maria. "Mas a colheita é para todos", sublinhou Sónia, acrescentando que "a campanha é para continuar".

O Centro de Histocompatibilidade do Sul só envia equipas para colheitas externas com um mínimo de 150 voluntários inscritos. Sónia conseguiu quase trezentos e 267 compareceram na recolha. Trinta foram recusados por razões médicas, tendo sido feitas 237 colheitas. As que forem boas irão ser incluídas no Registo Português de Dadores de Medula Óssea.
Fonte: Correio da Manhã
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/quartel-solidario-aberto-a-dadores

Ainda há a possibilidade de se poder fazer os testes de compatibilidade.
A Guarda Sónia Costa deixou o seu contacto.
Mais uma vez, quem puder, por favor que ajude.

Para a Guarda Sónia Costa, apenas queremos dizer o seguinte:
Esta é uma forma formidável de concretizar o lema:
"Pela Lei e pela Grei".

terça-feira, 22 de março de 2011

O governo cai amanhã


PSD força queda do governo ao apresentar projecto de resolução

Líder parlamentar do PSD explicou as razões da resolução contra o PEC hoje entregue na Assembleia da República
A palavra "censura" não foi pronunciada, mas o PSD não esconde que ao apresentar um projecto de resolução contra o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) só há um resultado prático: a queda do governo.

Os sociais-democratas vão apresentar o projecto e defendem que o caminho a seguir são as eleições: "Este projecto destina-se a enunciar politicamente a nossa apreciação e a nossa apreciação é negativa. As consequências que daí podem advir foram tiradas pelo primeiro-ministro há dias", disse ontem o líder da bancada parlamentar do PSD, Miguel Macedo quando questionado se o projecto do PSD serve para derrubar o governo.
No entender do mesmo, "é por uma questão de interesse nacional que o PSD vai votar contra as alterações ao PEC", explicou hoje aos jornalistas o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo.

O social-democrata dividiu a questão em dois aspectos: "o interesse nacional e a mera sobrevivência política do governo". E, segundo afirmou, para o PSD o primeiro aspecto sobrepõe-se ao segundo. Miguel Macedo diz que só uma clarificação política cabal é que pode servir o interesse nacional, neste preciso momento político. Ou seja, "só um governo de maioria poderá repor a credibilidade nacional, depois de este governo ter negociado as alterações ao PEc sem dar contas ao parlamento e ao presidente da República". E explicou que "esta resolução do PSD destina-se a enunciar formalmente a nossa objecção ao novo PEC".

Quanto à questão da sobrevivência do actual governo, Macedo fez notar que "as várias declarações de membros do executivo são evidentes sinais de desespero". E concluiu dizendo que, "em Democracia não se pode ter medo de ouvir o povo".

Recorde-se que, o O PEC vai ser discutido esta quarta-feira e os quatro projectos de resolução, do PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda vão ser votados.

Depois de na segunda-feira o presidente do PSD ter admitido pela primeira vez que vai haver eleições, ontem, Miguel Macedo não deixa margem para dúvidas de que para os sociais-democratas o governo não passa de hoje: "Só tem medo da vontade do poder quem está agarrado ao poder." O que está em causa é o "interesse nacional" e não "a sobrevivência do governo".

O projecto do PSD só vai ser entregue no Parlamento durante a manhã . Primeiro foi o PCP e depois o Bloco de Esquerda que apresentaram nos textos políticas alternativas.

O projecto do PCP, o primeiro a dar entrada. logo o primeiro a ser votado, retirou à partida a possibilidade de ser aprovado pelas bancadas da direita parlamentar. No documento é defendida uma "política patriótica de esquerda" e é dito que "não há grande diferenças entre PS, PSD e CDS". Duas ideias que deitam por terra a possibilidade de aprovação por parte tanto do PSD como do CDS. Para que um projecto seja aprovado basta que os dois partidos da esquerda se abstenham e o PSD e CDS votem a favor. O que pode acontecer tanto com o documento dos sociais-democratas como dos centristas.
Já o projecto do Bloco de Esquerda, num texto mais resumido, apenas contém uma medida com a qual a direita não concorda: o fim das privatizações.

domingo, 20 de março de 2011

Milhares protestam contra mais uma Injustiça


A Injustiça, a Indignação e a Revolta
"Milhares de pessoas participaram, sábado, na marcha lenta "Algarve Livre sem Portagens", entre Vila Real de Santo António e Lagos, numa acção de protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante, a A22.

O protesto, convocado pelo "Movimento Algarve - Portagens na A22 Não" e pela Comissão de Utentes da Via do Infante, teve início cerca das 16:00 horas, com concentrações em quatro localidades algarvias, decorrendo ao longo de duas horas e meia nos dois sentidos da Via do Infante, culminando no Parque das Cidades, em Faro.

Segundo organizadores, o protesto "superou as expectativas, tendo ficado demonstrado a insatisfação da população à introdução de portagens naquela importante via rodoviária".

A caravana automóvel atingiu vários quilómetros, tendo sido acompanhada de perto por várias patrulhas da Guarda Nacional Republicana (GNR), que impediram a paragem dos automobilistas na via, junto ao nó de acesso da autoestrada do Sul (A2) tal como a organização tinha planeado.


João Vasconcelos, da Comissão de Utentes, destacou "a grande participação popular e anunciou novas acções de luta" para as próximas semanas.

"A indignação foi transformada em revolta e demonstra que os algarvios não vão ficar sossegados, porque portajar a Via do Infante não é solução, e vai agravar a crise económica", observou.

"As pessoas tiveram coragem e determinação e demonstraram o descontentamento pela atitude do Governo ao introduzir portagens numa via sem alternativas e essencial ao Algarve", destacou João Vasconcelos.


Aquele elemento da Comissão de Utentes da Via do Infante anunciou que está marcado "um novo protesto popular para o dia 8 de Abril, junto à Ponte Internacional do Guadiana".

Ao protesto popular e à caravana automóvel juntaram-se os presidentes da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e da Câmara de Portimão, bem como a deputada do Bloco de Esquerda, eleita pelo círculo do Algarve, Cecília Honório.

Macário Correia (PSD) justificou a sua presença no protesto para denunciar "a forma desonesta" como o Governo tem tratado o processo.

"Temos de manifestar a nossa revolta, porque é uma atitude injusta e deselegante. No dia em que estávamos a ser ouvidos sobre a colocação dos pórticos, já eles estavam a ser colocados", disse Macário Correia.

Por seu turno, o presidente da Câmara de Portimão considerou que a introdução de portagens "é uma decisão desastrosa para a região e, infelizmente, irreversível".

Manuel da Luz acrescentou que o Algarve "foi enganado, porque foi confrontado com uma imposição quando se tentava encontrar um ponto de consenso, menos penalizador para todos", e lamenta que "o Algarve seja constantemente enganado por Lisboa".

A deputada do Bloco de Esquerda, Cecília Honório, eleita pelo círculo de Faro, considerou "um protesto justo e muito expressivo, numa região fortemente marcada" pela crise económica.
"Quis marcar presença e demonstrar a minha solidariedade contra a introdução das portagens na Via do Infante", disse Cecília Honório". - Jornal de Notícias (19/03/2011)


As Consequências 
"Um trajecto de 300 quilómetros na Via Infante (A22), no Algarve, vai custar mais do dobro do que o mesmo percurso numa autoestrada da Andaluzia após a introdução de portagens, estimou sábado um investigador da Universidade do Algarve.

Fernando Perna falava no fórum "Portagens no Algarve -- Impacto Económico e Social", uma iniciativa da Plataforma de Luta Contra as Portagens na Via Infante que reuniu cerca de 150 participantes, entre autarcas, empresários, deputados e cidadãos.

Segundo um cenário apresentado pelo docente da área do Turismo, um percurso de 300 quilómetros na A22 -- incluindo combustível e portagens -, custará 51,18 euros, mais do dobro dos 23 euros de gasto estimado para o mesmo percurso na Andaluzia.

Fernando Perna alerta ainda que as portagens vão provocar um aumento da carga fiscal sobre o turismo, sobretudo nas visitas dos excursionistas da Andaluzia, que são aqueles que ficam na região apenas um dia sem dormida em alojamento.


De acordo com a estimativa daquele docente, para uma viagem de 300 quilómetros na A22 já com portagens a carga fiscal passará a representar 79,6 por cento do preço final contra os actuais 61,6%

Dados recentes apresentados pelo investigador indicam que mais de 80 por cento das entradas de espanhóis no Algarve se referem a excursionistas, num universo de cerca de um milhão de entradas de espanhóis na região por ano.

A criação de uma oferta integrada de transportes públicos no Algarve e de uma linha de autocarro guiado foram algumas das soluções apresentadas por outros especialistas para uma melhor organização da mobilidade na região.

De acordo com outro docente da Universidade do Algarve, Manuel Tão, a introdução de portagens é um sintoma que revela o "cansaço" do modelo de mobilidade praticado na região nos últimos 20 anos.

O especialista diz que a "Rua Nacional 125" não é uma alternativa à A22. E defende uma moratória à introdução de portagens na região, medida que, diz, vai "penalizar duplamente" -- externa e internamente -, o Algarve

O engenheiro João Reis Simões defende, por seu turno, que seja estudada a hipótese de introdução de um autocarro guiado, que circularia em via própria, e que apresenta mais vantagens do que o comboio.

De acordo com aquele responsável, os comboios no Algarve transportam apenas 4 mil passageiros por dia e um metro ligeiro, para ser rentável, teria que transportar 15 mil por hora e por cada sentido de rota". - Jornal de Notícias - (19/02/2011)


Os Culpados
O vice-presidente do PSD Marco António Costa afirmou hoje, no Porto, que todas as autoestradas portuguesas vão ter portagens caso o partido vá para o governo. Cobranças devem iniciar-se a 15 de Abril entre elas a da Via do Infante no Algarve.

“Vai-se manter a situação que existe hoje acordada com o Partido Socialista”, afirmou Marco António, em conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre se todas as autoestradas vão ter portagens se o PSD for para o governo.

O dirigente social-democrata convocou a conferência de imprensa para voltar a acusar o primeiro-ministro, José Sócrates, de “sacudir a água do capote” ao imputar ao PSD a cobrança de portagens das SCUT do interior.

Recorde-se que está previsto estender a cobrança de portagens às autoestradas do interior centro e Algarve (A22) a partir do dia 15 de Abril. - Observatório do Algarve (06/03/2011)


Reflexão 
Devemos estar conscientes do poder que nós (povo) temos para que não continuemos a ser uns meros fantoches de alguns políticos
Isto talvez ajude.

"Foram mais as pessoas em protesto (no dia 12 de Março) em Lisboa e no Porto do que os votos obtidos pelos partidos nas legislativas de 2009 nos dois concelhos. Os votos em Costa e Rio também não superaram a quantidade de manifestantes. Afinal, para que servem 300 mil na rua?

Se a participação no protesto de sábado se traduzisse em votos, algo poderia mudar no panorama político. Estarão as várias gerações conscientes desse poder?

Se todas as pessoas que participaram nas manifestações de sábado em Lisboa e no Porto tivessem votado num só partido, essa força partidária conseguiria maioria absoluta nestes concelhos nas legislativas de 2009. E, apesar de os dados serem apenas relativos aos concelhos e não aos círculos eleitorais, a verdade é que é possível retirar algumas consequências. Num cenário em que uma das principais conclusões foi a união entre as gerações, torna-se necessário pensar sobre o que pode acontecer se esta acção de rua tiver frutos políticos. 

Nas legislativas de 2009, na cidade de Lisboa, o 
PS conquistou 112.076 votos e o PSD 93.125, respectivamente, 35% e 29% dos 322.192 votantes. Os 200.000 manifestantes que marcharam na avenida da Liberdade representariam 62%. A perspectiva no Porto é semelhante. O PS conseguiu 53.813 e o PSD reuniu 46.012 dos votos numa eleição em que o concelho contou com 148.939 votantes. Os 36% e 31% dos votos que as forças partidárias alcançaram são inferiores aos 54% dos que teriam sido conseguidos pelos manifestantes. 

Em relação às autárquicas, os resultados são semelhantes. Houve mais manifestantes na avenida do que aqueles que votaram em 
António Costa em 2009. 123.467 pessoas elegeram-no para presidente da Câmara de Lisboa, muito abaixo dos 200.000 que deverão ter desfilado no sábado. Já no Porto, Rui Rio conseguiu 62.183 votos, número inferior aos 80.000 manifestantes. 
                                                                                  



















O exercício é apenas demonstrativo (quanto mais não seja porque participaram crianças, e elas não votam) mas, ainda assim, sugere que o protesto pode ter força política. Mesmo com o facto de o movimento se ter assumido como independente de qualquer actividade "de cariz partidário, político ou ideológico"." - Jornal de Negócios (18/03/2011)