terça-feira, 12 de julho de 2011

Dívidas e mais dívidas põem Algarve em maus lençóis


Depois do colapso da República vêm as partes. Os braços da administração territorial - as autarquias -, vão implodindo uma a uma, vítimas da mesma má governação e displicência sobre a gestão dos dinheiros públicos.

As mesmas engenharias e embriaguez política sobre contabilidade e negócios ruinosos do Estado central, foram elevadas a quase 308 municípios. No Algarve poucos escapam e foi a vez de Vila Real de Santo António, gerido pelo presidente da distrital do PSD, de mostrar e sofrer por umas horas as consequências de lei, entretanto suspensas por negociação sem que a dívida desapareça.

Numa prática recorrente para criar ocupações ao crescente número de pendurados nos partidos, entre outras artimanhas despesistas, multiplicaram-se as empresas municipais para as mesmas tarefas que nunca deveriam ter saído das responsabilidades das vereações.

Nem os serviços melhoraram, como estas empresas foram usadas para as trafulhices sobre os buracos financeiros das autarquias. Sem dinheiro, os jogos de manipulação deram lugar ao desespero e a somar à ruína nacional e aos seus custos, juntam-se os desastres locais.

Enquanto os políticos responsáveis se degladiam de forma pública e indecente sobre quem produz mais ou menos dívidas, cada cidadão e cada família interroga-se das consequências e de que mais lhes irão imputar sobre as enormes dificuldades vividas.

PSD e PS (para usar o Algarve como exemplo), enquanto gestores e oposição, concorreram despudoradamente para os mesmos objectivos de abuso da sua autoridade pública e ainda se atrevem a envolver a inocência dos munícipes nas suas disputas. Faro. Albufeira e Portimão e agora VRSA, são exemplos.

Em VRSA, os socialistas avisaram dos perigos do endividamento que esqueceram nos concelhos da sua jurisdição. Da gestão central à administração local, temos os mesmos vícios e os mesmos figurões que se vangloriam de “fazer obra”… com o dinheiro que ficam a dever. Na administração local, em muitos casos, não chegam a pagar…

Com o Estado descapitalizado e sem crédito, com os Bancos de uma maneira geral falidos e sem capacidade de financiar a economia e as autarquias, o Algarve em particular, pela sua monocultura de 3 ou 4 meses, não está preparado para enfrentar a situação e a partir de Outubro, todos os factores negativos conhecidos atingirão números e situações difíceis de gerir e resolver.

Perguntarão os cidadãos: Como chegámos tão longe? Onde estiveram os organismos de fiscalização? Não há punição para os vários níveis de responsabilidades?

Tal como o Banco de Portugal falhou para a supervisão da macroeconomia e finanças, o Tribunal de Contas foi fechando os olhos aos pequenos monstros que actuaram por toda a administração local. Como todos estes órgãos são de escolha política, está encontrada a explicação.

Com as políticas traçadas pelo novo Governo de cortes nas transferências para as autarquias e a quebra de receitas próprias, maus dias vão correr na região, com todas as culpas para as gerações de dirigentes e autarcas que se bandearam para o centralismo e deixaram os problemas correr ao sabor do sol e praia e da especulação do betão.

Com a região claramente a empobrecer, estes senhores procuram apenas tábuas de salvação para as instituições que dirigem com sobrecarga de custos para os cidadãos. Seguem as pisadas do centralismo de esconder a mão e democratizar esses custos.

No momento em que o país volta a ser avisado do seu estado de falência, que as virgens em coro não gostaram que lhes fizessem lembrar, é de todo legítimo que os portugueses coloquem as perguntas sobre as razões da dívida, quem a contraiu e beneficiou e da injustiça das medidas que estes senhores (Governo e autarquias) querem impor.

O Algarve está em maus lençóis…

Artigo de opinião de Luís Alexandre
Membro do Forum Albufeira e da ACOSAL -Associação de Comerciantes de Albufeira

Fonte: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/opinioes_ver.asp?opiniao=1123



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Acabei de ler este livro: Os Portugueses. De Barry Hatton.


Este livro é na minha opinião, absolutamente extraordinário.
O autor é um Inglês que já mora em Portugal desde 1986.
Casou-se com uma Portuguesa, já tem filhos Portugueses e ele próprio… já é Português.
É Inglês… mas já é Português.
Como ele tem uma cultura diferente da nossa, mas como já compreende muito bem a nossa também, faz uma descrição e uma análise do nosso povo e história, extremamente acutilante e certeira.
Simples, directo, franco, duro, mas apaixonado com esta nossa forma de sermos Portugueses, Barry Hatton explica o porquê do fado e do nosso fado ao longo da história.

Tece também umas palavras acerca do Algarve, de que transcrevo excertos:
“O desenvolvimento do turismo no Algarve a partir dos anos sessenta foi, durante muito tempo, um esquema para enriquecer rapidamente que sacrificou muito do carácter da região mais a sul…
… A forma como as esferas privadas e públicas foram coniventes… foi quase um sacrifício ritual da galinha dos ovos de ouro.
… O Algarve continua a ter praias fantásticas, mas falta-lhe profundidade, tendo sido desenhado com a ideia em mente de uma quinzena de férias na praia.”

Acerca do poder local aplicado às cidades da “província”:
“…As cidades da província parecem ter sido planeadas na costas de um guardanapo, durante o almoço.”
“Lisboa tem o dobro dos funcionários, em termos relativos, do que a capital espanhola. Tal como a generalidade dos restantes municípios, em comparação com os municípios espanhóis, em termos relativos.”

Acerca do povo:
“Os Portugueses são amistosos, mas também irascíveis, deferentes, mas indómitos, apáticos e humildes, duros e ousados, compassivos, mas irados, submissos e belicosos, sempre à espera que a sorte lhes sorria, boa companhia, conciliadores e diplomáticos, bem como efusivos e espontâneos, dados a perder as estribeiras, mas eminentemente sensatos, com a tristeza na alma, mas a jovialidade na natureza.”

Meus amigos,
Recomendo vivamente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

33 Sugestões de cidadãos Portimonenses para o trânsito e acessibilidades de Portimão.



Na sequência de um muito vivo debate no grupo do Facebook do Portimão Sempre, em que se constatou a boa vontade, o voluntarismo e o espírito cívico de muitos participantes, venho aqui apresentar esta compilação de ideias para o trânsito e acessibilidades de Portimão.

Limitei-me a copiar para aqui as ideias, por ordem de aparecimento destas no facebook, identificando os seus autores.

São 33.
E aqui estão:


Carlos Neves Martins
1 - Dotar a Cidade e as suas principais urbes com uma rede de estacionamentos à superficie, subterrâneos e auto-silos;
2 - Planear simultaneamente inovadoras formas de atravessamento da Cidade nos sentidos norte-sul e este-oeste, com recurso a vias aéreas e subterrâneas, em que nestas últimas serão criadas bolsas de estacionamento subterrâneo;
3 - Programar a criação de ciclovias urbanas e de ligação das urbes do Concelho, estimulando a existência de parques de bicicletas para aluguer à hora, ao dia, ao mês e ao ano;
4 - Estimular o uso dos transportes públicos desde logo pelos funcionários da Autarquia nas suas deslocações casa-trabalho-casa e fixar regras de uso da rede de transportes urbanos para os serviços de fiscalização e outros, reduzindo assim o volume de tráfego, a despesa com viaturas e a emissão de dioxido C02;
5 - Criar condições reais para candidatar o Municipio aos Fundos/Créditos de Carbono (Kioto)em 2020.
6 - Necessidade de se avançar com um projecto-piloto de metro de superficie (actual linha e infra-estrutur...as) entre Portimão e Lagos, com paragem nas principais localidades do percurso.
7 - Criação de um parque de estacionamento (PE) na zona do Hospital:
7 -a) deve ser aumentada a capacidade de estacionamento na área do actual hospital, mas nunca com um uso muito amplo dada a necessidade de garantir os corredores de emergência, a fluidez do tráfego e ainda porque esse PE estará próximo da entrada da Cidade;
7 -b) localizar esse PE mais a norte, junto ao nó da VLA.
8 - construição de 3 a 4 auto-silos na área da Praia da Rocha.


Nuno Campos Inacio
9 - Estacionamento em Portimão - Sou favorável à requalificação total do Largo Gil Eanes e do Largo Sárrea Prado, criando um parque de estacionamento de superfície em toda a sua área, como principal acesso ao centro da cidade; sou favorável à construção de um parque subterrâneo no Largo D. João II; sou favorável à construção de um parque de estacionamento exterior, público, próximo do hospital, servido por transportes públicos, de forma a evitar a entrada de carros no centro da cidade.
10 - A solução que defendo é polémica, mas a única que consegue resolver o problema do estacionamento e dinamizar a vida diurna e nocturna na Praia da Rocha, trata-se de um parque subterrâneo sob o areal da praia, com acesso pela Marina, pela Estrada da Rocha e pelo Miradouro.
11 - Inverter o sentido de trânsito na Rua Santa Isabel e na Rua 5 de Outubro.


Paulo Justino
12 - Acabar com aquela micro-rotunda junto a passagem de nivel da estrada de Monchique


Domingos Martins
13 - CONCURSO de ideias e planificação sobre ordenamento de tráfego e urbanismo, e que se aplique as ideias do projecto vencedor;
14 - abrir a Infante D. Henrique em ambos os sentidos;


João Rosado
15 - Deixar fluir o transito em frente ao BPI, CGD, virando a direita para O TEMPO, e dando vida á Rua Direita;
16 - Colocar a Av. S. João de Deus com transito nos 2 sentidos para rápidamente da V6 se possa aceder ao centro da cidade.


Antonio Serra
17 - Fazer o percurso como foi feito há anos seria uma boa opção. Entrada em Portimão pela ponte velha--Rua Serpa Pinto- Rua Judice Biker;
18 - Visitar o centro, estaciona na praça 1 de Maio ou toma a direcção para o parque da Republica da Alameda... como também tem o terreno de terra batida em frente ao estádio de futebol ou ainda a famosa horta da Horta do burro;
19 - Para sair vindo da Rocha há uma solução que muita gente concorda mas que dificilmente quererão mexer pois seria voltar a abrir a largo da casa inglesa "desviando a fonte e os quiosques de gelados" que la se encontram ou tomar a direcção as Cardosas;


João Pires
20 - Falou-se em tempo, na demolição de alguns edifícios devolutos que dão para o largo do dique e para a frente da Caixa Geral de Depósitos.
A ser possível esta solução, permitiria a ligação de saída de Portimão pelo largo do dique. Permitiria a inversão do sentido do transito da Judice Biker de forma a que esta fizesse de entrada.
21 - Permitir que a rua direita voltasse a ter trânsito de nascente para poente.
22 - Na avenida Paul Harris (avenida do túnel) efectuar uma ligação desnivelada (partindo que do princípio que haveria verbas, que duvido que haja...) aproveitando o acesso ao recheio e permitino a ligação à urb. da horta da Raminha, bem como à av. Dr. Francisco Sá Carneiro (ao lado da escola c+s). É mais fácil por aqui do que pela rotunda/semáforos mais à frente que liga às finanças.
23 - Efectuar ligação da av. Paul Harris para a V6 no sentido continente Pedra Mourinha.
24 - Efectuar continuação da Paul Harris, passando aldeia das Sobreiras, passando ao lado da Forportil, até Alvor.
25 - Nesta última via, na rotunda da aldeia das Sobreiras, fazer uma ligação até à rotunda que está à parte de baixo do Vale de França e efectuar ligação daí até à rotunda do Vau na V6 (edifício atlântico).
Permite-se assim, uma ligação alternativa à V6 para quem vem da Rocha e do Vau, com ligação directa à Paul Harris e a uma fácil entrada e saída.
26 - Passar a 2 faixas de cada lado a antiga estrada de lagos até à Penina.
27 - Passar a 2 faixas de cada lado a estrada da Penina até Alvor.
28 - Efectuar o prolongamento da V6, de forma a que passe por cima da zona industrial da Coca Maravilhas (não é fácil, mas é possível) e que intercepte a en125 perto do retail park. Assim, cria-se mais um acesso à 125, mas pela zona industrial evitando-se o acesso de pesados a esta zona, pela rotunda das Cardosas.
29 - Alargamento para 2 faixas de cada lado a estrada do Convento
(também não é nada fácil, mas é possível).
31 - Alargamento do acesso à rotunda das Cardosas, para quem vem do Hospital, para duas faixas (com imaginação é possível. aquilo não é tão estrito como parece).
32 – Via do Arade.
Assumindo aqui, que haveria dinheiro para isto e que os terrenos estariam todos disponíveis (condições que não estão reunidas neste momento), A "Via do Arade" permitiria a criação (junto com a V6 e com a V3) de um anel à volta de Portimão que incluiria a margem nascente do Arade. Com as correctas ligações ao centro e com os parques de estacionamento estrategicamente posicionados, esta via podia ser uma solução para o trânsito de ambas as margens.


José Manuel Mateus
32 - Passagem superior sobre a linha de caminho de ferro e que desembocasse na rotunda existente em frente ao parque de feiras. Dessa forma, passaria a haver mais uma saída de Portimão que em vez de ir cair no local onde está, à saída do túnel e antes da bomba da Repsol, teria que passar por trás desta bomba de combustível, numa ou em duas faixas de rodagem novas e terminaria numa muito maior rotunda do hospital. Neste momento uma das maiores zonas de conflito de trânsito de Portimão são as rotundas do hospital e das cardozas. Criando-se uma nova via de saída, que obrigaria ao aumento do diâmetro da rotunda do hospital, que por ser pequena é altamente perigosa, descongestionavam-se as ruas de acesso à rotunda das cardosas, a rua Infante D. Henrique e a referida rotunda das cardozas.
33 - acesso directo da estrada, no sentido Lagos-Portimão, ao parque do hospital do Barlavento Algarvio para ambulâncias ou veículos que necessitam de se dirigir às urgências.



Isto deu trabalho.
Mas valeu muito a pena.

Um abraço
João Pires


domingo, 3 de julho de 2011

"Novo Conselho Consultivo Municipal de Trânsito de Portimão". Boa iniciativa mas, consequência de má planificação.


O Conselho Consultivo Municipal de Trânsito de Portimão, um órgão composto por diversos membros da sociedade local, foi apresentado esta quinta feira, 30 de junho, com o objetivo de contribuir para uma cidade “mais sustentável”.

De acordo com a câmara de Portimão, este conselho integra cidadãos independentes, representantes das forças da ordem e de serviços autárquicos, associações de comerciantes, bombeiros, organismos ligados aos transportes públicos e presidentes de juntas de freguesia.

Na apresentação da nova estrutura, o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel da Luz, sublinhou que o principal objetivo “é criar um órgão que aconselhe, de forma refletida, os responsáveis pelas políticas de trânsito para as dificuldades do quotidiano”.

Trata-se, afirmou, de um “factor estratégico numa cidade que se quer sustentável e na qual a mobilidade é de capital importância para a qualidade de vida dos munícipes, para a competitividade dos agentes económicos e para o conforto dos turistas que nos visitam”.

O autarca acredita que, “para além das soluções engenhosas ou disciplinadoras que possam ser encontradas, a autodisciplina das pessoas será também muito importante”, tendo destacado a diversidade de técnicos e líderes locais que compõem este “órgão plural, onde se reúnem várias sensibilidades políticas e no qual a liberdade de expressão será importantíssima”.

Nesta primeira reunião, foi escolhida a respetiva comissão executiva, cuja missão será reunir periodicamente para analisar os problemas detectados e sugerir as soluções mais adequadas, por exemplo, na melhor localização das paragens dos transportes públicos, como orientar o trânsito na zona antiga da cidade, ou quais as políticas a adotar no tocante ao parqueamento.

Fonte:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=117538#.Tg-UCMNJ7TU.facebook


Acerca deste assunto, apenas desejo dizer o seguinte:

Em princípio é uma boa iniciativa.
Porque todas as iniciativas feitas num propósito de resolução dos problemas, são por definição positivas.
Agora, este é um sintoma de um problema que existe aqui em Portimão, e em muitas outras cidades do país.
E esse problema é:
Um fraco ou mesmo ausente planeamento.
O problema do trânsito é algo que se pode antecipar.
Não é fácil, mas é possível.
Porque se é feito com eficácia em outros países (ou mesmo por cá) então não vejo razão para que não seja feito em Portimão.
Portimão teve a mesma filosofia (ou tendência política) há décadas.
Não vejo razão para que não tenha havido um muito mais eficaz processo de planeamento urbanístico e (neste caso em concreto) de trânsito.
A necessidade desta medida (que é muito meritória) é fruto do natural e muito expressivo aumento da população em Portimão, mas muito devido também à falta de planeamento.
Por cá, em Portimão em termos de política autárquica, não se age.
Reage-se.
E este, é até um bom exemplo de reacção.
Louva-se portanto a iniciativa, porque é meritória.
Mas teria preferido a prevenção do problema.

Ficam já agora, outras sugestões de reacções a outros problemas que temos, visto que a antecipação dos mesmos, ou não existiu ou falhou.
Assim propomos a criação dos seguintes conselhos consultivos Municipais:

Conselho consultivo Municipal para a segurança.
Conselho consultivo Municipal para a actividade económica e desemprego.
Conselho consultivo Municipal para o urbanismo.
Conselho consultivo Municipal para a revitalização da zona antiga e do comércio tradicional.
Conselho consultivo Municipal para a revitalização do turismo.
Conselho consultivo Municipal para a emergência social.
Conselho consultivo Municipal para o saneamento financeiro da CMP.
Conselho consultivo Municipal para a reestruturação da CMP.

São tantos os problemas de grande magnitude que poderiam ter sido evitados com uma boa planificação e gestão, que é possível fazer-se o "milagre da multiplicação" dos conselhos consultivos.

Perdoem-me a ironia...


Agradeço a atenção.
João Pires

sábado, 2 de julho de 2011

Artigo de opinião no Correio da Manhã sobre as Urgências do HBA.


Urgências miseráveis



Quem já foi a uma urgência hospitalar sabe que não deve ficar feliz se lhe derem uma pulseira verde. Essa cor quer dizer ‘pouco urgente’. Excepto em Portimão, onde significa que deve entrar no automóvel, ir a Lisboa, ser consultado, fazer exames e só depois voltar para o Algarve.

Às 11h30 de segunda-feira, já as Urgências estão cheias e, após a expedita triagem, vem o aviso: era melhor ter vindo na véspera. De vez em quando, um trio de médicos – incluindo uma estrangeira com sotaque indecifrável – chama alguém. Mas só de vez em quando. Um homem com pulseira amarela enerva-se (sairá horas mais tarde, com a perna engessada...) e retorquem-lhe que "no Amadora-Sintra é muito pior".

Uma mulher que deu entrada com ameaça de AVC anuncia que só não põe ali uma bomba por causa dos outros doentes, exige o livro de reclamações e zarpa para um hospital privado. Nove horas e meia após a chegada, e já depois de se ouvir novamente que "em Lisboa é muito pior" (e que tal será no Darfur?), finalmente se transpõe a porta das Urgências. Mas só para preencher o livro de reclamações. Não há médicos disponíveis. Para trás ficam alguns turistas e muitos algarvios, maiores vítimas de umas Urgências miseráveis, melhor cartão-de-visita que a saúde privada poderia desejar.

Por:Leonardo Ralha, Editor de Cultura & Online

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/urgencias-miseraveis



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ocorrências bizarras na última reunião da Assembleia Munícipal de Portimão.


Na sequência da na última reunião da Assembleia Munícipal de Portimão, que ocorreu na passada quarta-feira dia 29 de Junho, venho aqui partilhar o que lá foi observado.

Uma reunião, igual a tantas outras, que traduziu os pontos de vista já por todos conhecidos.

O Partido Socialista, na defesa do executivo camarário.
E os partidos da oposição, contestando a prestação do mesmo executivo camarário.

Mais uma vez se sentiu a costumeira falta de consistência do PSD.
Muita vontade, muito voluntarismo, mas falta capacidade de foco.
Falta acertividade.
Dispersa-se com facilidade.

BE, igual a si mesmo. Não brilha, mas também não compromete.
PCP, muito combativo, mas mais ruidoso do que eficaz.

CDS, com grande capacidade de se fazer ouvir.
Faz-me lembrar a espingarda de precisão.
Tem pouco tempo para falar, mas nunca falha.
Quando dispara, acerta sempre.
One shot, one kill.
Consegue sempre, de forma vincada e com muito nível, pôr a equipa de gestão camarária e a bancada do PS, em desconforto.

Para lá desta breve leitura de performances, gostava de referir uma ocorrência de significativa relevância e duas ocorrências bizarras.

Começando pela relevância:
Foi lá admitido por uma técnica da Portimão Urbis, que esta empresa munícipal apresenta um muito significativo passívo (dívida) e uma conta de exploração negativa (dá prejuizo).
Para quem negava, sistematicamente estes factos, quando confrontados com eles, o admitir a realidade, já é um começo.
Tinha sido importante, no entanto, admiti-lo antes das últimas eleições autáquicas ao invés de omiti-lo ou negá-lo, como foi feito.

Daí, este sentimento de engano que todos sentimos.
Fomos enganados.
Mas, já é bom vermos que eles também já o admitem.
Não é o ideal, mas já é um começo.

Em relação às ocorrências bizarras, ocorreram duas.
A primeira foi um comentário extremamente xenófobo contra um deputado municipal do PSD, feito no espaço “intervenção do cidadão”, por uma cidadã que referiu que era uma simpatizante do actual executivo camarário..
Disse ao deputado em questão que, como este não é natural de Portimão, “que se fosse embora e que voltasse para a sua terra”.
Foi-lhe dito que por ser “de fora” e por ser crítico em relação ao executivo socialista, não era bem vindo em Portimão.
O episódio foi simplesmente patético na forma e absolutamente estúpido na substância.
O deputado em questão reaigiu de forma exemplar.
Ignorou completamente.
Fez muito bem.

A segunda ocorrência bizarra, foi decorrente de uma queixa por parte do deputado municipal do PCP,de que alegadamente teria sido alvo por parte do Vice-Presidente da Câmara de tentativa de agressão.

Esta alegada agressão, terá sido testemunhada por terceiros alegadamente.
Esta ocorrência terá, segundo o deputado do PCP, alegadamente ocorrido no final da penúltima reunião da Assembleia Municipal, aquando de uma troca de palavras mais acesa com o Vice-Presidente, em que este terá assumido uma postura verbal mais agressiva, tendo mesmo esboçado um movimento de maior agressividade, tendo sido contido por terceiros.

Tudo isto carece, evidentemente de confirmação.
No entanto, há testemuhas que afirmam que o que o referido deputado diz, é verdade.
Temos também de dizer que, nesta última reunião da Assembleia Municipal, o Vice-Presidente estava ausente.
Assim, toda a descrição e discussão sobre este episódio foi feita sem a presença dele.
Isso foi referido, mas foi ressalvado que tudo o que é lá dito é gravado e lavrado em acta.
Desta feita, foi dito que o Vice-Presidente terá a possíbilidade de saber tudo o que foi dito e como foi dito, para que possa proceder ou responder da forma que melhor lhe aprouver.

A leitura que pode ser feita destas ocorrências é simples:

Há sinais de desorientação e de desnorte.

Estes costumam ser também, sinais de mudança.

Agradeço a atenção.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Censos 2011: População de Portimão subiu 24,54% em dez anos.


Censos 2011: População no Algarve subiu 14% em dez anos

O Algarve é a região do país onde se registou o maior crescimento de população (+14 por cento) entre 2001 e 2011, segundo os resultados preliminares do Censos 2011, apresentados esta quinta feira.

De acordo com os primeiros resultados do estudo demográfico, verificou-se, em Portugal, um ligeiro crescimento da população em relação a 2001. Atualmente, vivem no país 10.555.583 pessoas.

A população residente aumentou 1,9% e a população presente 3,2%. As famílias apresentam um crescimento mais significativo, cerca de 11,6%. Lisboa e Algarve são as regiões que apresentam o número médio de pessoas por família mais baixo, com 2,4.

Relativamente a 2001, também se verifica um elevado crescimento dos alojamentos (5,8 milhões) e dos edifícios (3,5 milhões), cerca de 16,3% e 12,4%, respetivamente.

O maior crescimento da população e das famílias ocorreu no Algarve, onde o crescimento da população residente (14%) é superior ao da população presente (13,1%), “o que poderá demonstrar uma maior fixação de residência da população dessa região, nomeadamente por via dos fluxos migratórios”, explica o Instituto Nacional de Estatística.

Em termos locais, Albufeira foi o concelho algarvio onde se registou maior crescimento de população (28,89%), seguido de Portimão (24,54%) e de Lagos (21,09%)

Em sentido contrário, Alcoutim é o município do país com maior decréscimo populacional (-23,2%) nos últimos dez anos. Monchique (-13,44%) e Vila do Bispo (-1,38%) são os outros dois concelhos da região que perderam população.

Na região algarvia, o número de alojamentos cresceu 36,9% e o de edifícios 24,9%. Nos cinco mais na variação dos alojamentos estão três municípios do Algarve, com Portimão (54,0%) e Tavira (51,5%) acima dos 50%.

Fonte: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=117482



terça-feira, 28 de junho de 2011

Portimão: Autarca desafia Comunidade Intermunicipal e Estado a fazerem plano social de emergência


O presidente da Câmara de Portimão desafiou a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e a Administração Central a unirem-se para delinear um plano de emergência de combate aos problemas sociais na região.

“Há pessoas da classe média que estão a ir almoçar às misericórdias e que comem viradas para a parede com vergonha de serem vistas. Há pessoas que têm dificuldades em pagar as propinas dos filhos”, relatou Manuel da Luz, em declarações à Lusa.

A ajuda aos carenciados “é uma situação que cada município, por enquanto, ainda está a abordar individualmente, mas penso que ao nível da AMAL, mais tarde ou mais cedo, a questão da atuação consertada tem de se pôr” e em união com a Administração Central, defende o autarca de Portimão.

“A Administração Central não pode descansar nas autarquias, nas Organizações Não Governamentais ou nas igrejas (…), porque a Segurança Social devia estar aqui com uma posição reforçada”, argumenta Manuel da Luz.

A autarquia de Portimão tem um programa de apoio social há já dois anos, dando apoio através da tarifa social da água, habitação, pagamento das rendas ou oferecendo cabazes de alimentação.

O número de pretendentes vai aumentar, estima o autarca, que se revelou “muito preocupado” com o crescento número de pedidos de ajuda.


Fonte: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=117371