sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O que nos preocupa, Portimonenses?


 Em Portimão nasci e aqui cresci.

  
Tenho muitas lembranças da minha infância nesta cidade. 

Recordo-me de ir ver a chegada dos barcos de pesca à antiga lota. 

Recordo-me ainda dos filmes que vi no cinema antigo.



Mas para além destas e de muitas outras recordações nunca me considerei um saudosista e foi com orgulho que assisti ao crescimento de Portimão.

Como muitos outros portimonenses sempre desejei o melhor para esta cidade.

Por isso é com preocupação que assisto a diversas situações que têm vindo a ocorrer nos últimos tempos que, de alguma forma, podem colocar em causa, a curto ou médio prazo,  a qualidade de vida que ainda temos.

São essas preocupações que deram origem à sondagem “Qual será a principal preocupação dos Portimonenses”.

Agradeço desde já a quem votou e quem ainda não votou poderá o fazer pois a votação irá continuar.
 
Face ao número de votos efectuados até ao momento acredito que queiram comentar sobre o que vos aflige.

 
Será o desemprego?
  
“O Algarve foi a região do País que registou um maior aumento de desemprego em Maio, em comparação com idêntico período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). A nível regional, o concelho de Portimão é o que contabilizava mais inscritos, apesar de ser o terceiro em número de habitantes.” - Correio da  Manhã - 18/06/2010




 
Será a falta de segurança?

"Um homem foi anteontem à noite roubado e agredido nas imediações do largo Gil Eanes, na cidade de Portimão. O ladrão conseguiu pôr-se em fuga, estando o caso a ser investigado pela PSP.

A vítima foi atacada em plena via pública, tendo sido mesmo agredida com uma barra de ferro nas costas e braços. Os ferimentos foram ligeiros, mas mesmo assim o homem teve de receber assistência médica.

O agressor, que aparentava pouco mais de 20 anos e estava acompanhado por dois outros indivíduos, levou a carteira da vítima, que continha 80 euros em dinheiro, documentos e o telemóvel." - Correio da Manhã - 15/10/2010


Ou outra situação?

Aguardamos os vossos comentários.

Oportunamente iremos desenvolver todos esses assuntos neste vosso blogue.

Portimão Sempre

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

República, Afonso Costa e Portimão.



Num discurso na assembleia da República, nos seus tempos de deputado, datado de 13 de Maio de 1908, Afonso Costa (um dos pais da República) disse acerca da situação nacional de então:

“…Para onde foi, pergunto ainda mais uma vez, tanto dinheiro da nação?
Que se fez do suor, do sangue, da miséria do povo?!
Não há instrução, não há assistência pública, não há economia nacional, não há colonização, não há defesa nacional – nunca é demais acentuá-lo.
Mas se nada disto existe, há paços reais, salas de jantar, cavalariças, e guarda-vestidos sumptuosíssimos; há um batalhão do selo, há mil e uma formas de alimentação ilegítima da Monarquia parasitária; e há, sobretudo, da conta imensa, e ainda muito longe de liquidar-se pelo total, dos adiantamentos ilegais feitos ao rei e a pessoas da sua família.
…”

Hoje, Afonso Costa diria, a propósito da situação nacional actual:

“…Para onde foi, pergunto ainda mais uma vez, tanto dinheiro da nação?
Que se fez do suor, do sangue, da miséria do povo?!
Não há instrução, não há assistência pública, não há economia nacional, não há competitividade nas exportações, não há independência nacional – nunca é demais acentuá-lo.
Mas se nada disto existe, há regalias, jantaradas, automóveis, e fatos Armani sumptuosíssimos; há um batalhão de assessores, há mil e uma formas de alimentação ilegítima da classe de Boys parasitária; e há, sobretudo, da conta imensa, e ainda muito longe de liquidar-se pelo total, da dívida pública decorrente de défices orçamentais desgovernados
. …”

Ainda hoje, e em Portimão se por cá passasse, Afonso Costa diria:

“…Para onde foi, pergunto ainda mais uma vez, tanto dinheiro da nação?
Que se fez do suor, do sangue, da miséria do povo?!
Não há ensino universitário estruturante, não há visão pública, não há economia local, não há competitividade económica, não há desenvolvimento local sustentado – nunca é demais acentuá-lo.
Mas se nada disto existe, há Sashas, jantaradas, automóveis, e eventos sumptuosíssimos; há um batalhão de assessores, há mil e uma formas de alimentação ilegítima da classe de Boys parasitária; e há, sobretudo, da conta imensa, e ainda muito longe de liquidar-se pelo total, da dívida da Câmara Municipal de Portimão decorrente de défices orçamentais desgovernados.
…”

Não gosto de usar a memória de tão augusto Português desta forma, mas estou certo que ele compreenderia.

Para concluir, cito as palavras de um amigo meu:
“Onde é que há para ai uma choça, para eu entrar lá para dentro?”
Quem entendeu, entendeu.
Quem não entendeu, informe-se.
Cumprimentos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Compare-se a atitude deste Homem, com as atitudes dos políticos actuais.


Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo, uma lei especialmente congeminada contra si.
Por Fernando Dacosta


O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.

Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.

Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu porém, prescindir do benefício, que o não era, pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados e não aceitou o dinheiro.

Num país dobrado pela pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungente cívica, de dolorosíssimo abandono social. (…)

(…) O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos), explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.

“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e se possível, a moral da convicção”, dirá. “Torna-se indispensável preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta, acrescentando os outros.

“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará. “Fora dela, reagi como tímido, liderando”.

O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobre elevam a calamidade moral, que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista Bastos) ganha repercussões salvíficas, da nossa corrompida e pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já, o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo, para continuarmos a respeitar-nos e a acreditar-nos.
Condição imprescindível para o futuro dos que, persistem em ser decentes.


Ad Unum, Semper Fidelis meu general !

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

“O povo também tem que sentir as crises como o governo as sente”. Almeida Santos

1. “O povo também tem que sentir as crises como o governo as sente.”
Almeida Santos

2. “Só está desempregado quem quer”.
Blogger afecto ao PS local.

3. “Isso dos défices e PIB’s não me dizem nada. É tudo conversa desses economistas. A culpa da crise é desses especuladores e não do governo.”
Conhecido meu que é militante do PS e que já foi candidato a uma junta de freguesia.

O meu texto hoje, versa única e especificamente a empatia e a competência.
Empatia, como capacidade de sentirmos os outros.
Competência, como o que ela é.

À luz das afirmações anteriores, que conclusões tiramos, acerca de quem as proferiu?
Têm a capacidade de estar em sintonia com as preocupações e necessidades do seu povo?
Têm a competência para tomar decisões que afectem o futuro do seu povo?

Reflictamos:
Almeida Santos disse que o “povo também tem que sentir as crises como o governo as sente”.
Este homem sente que o governo sofre muito com a crise e o povo não.
Logo, prescreve ao povo, um pouco deste sofrimento, para que aprenda o que a vida custa.
Porque, o povo não tem sofrido.
Estará mal habituado.

Este homem, foi deputado da assembleia da república desde 1975.
Foi presidente da assembleia da república.
Ele legislou. Criou leis.
Decidiu sobre o futuro do povo, que ele diz que não sofre a crise, como o governo sofre e que é bom que comece a sofrer.

O segundo citado hoje aqui, é de alguém que não terá ainda decidido acerca do povo, mas que se arrisca a estar numa posição em que o possa fazer, se o rumo das coisas actual, persistir.
Ele diz que “Só está desempregado quem quer”.
Muito bem.
Descontando alguns “profissionais do desemprego” e somando os que não aparecem nas estatísticas, temos 10% de desempregados.
Gente que não tem o rendimento que tinha antes.
Gente que sente que tem o futuro hipotecado.
Gente que ainda espera por ver a luz ao fundo do túnel.
Gente que tem de ouvir, que está desempregada porque quer.

Este senhor sustenta a sua afirmação, na frase bem conhecida: “Queres é um emprego e não um trabalho”.
Pois o que sabemos hoje, é que mesmo os trabalhos (e não só os empregos) rareiam.
Depois, é giro sentenciarmos isto aos outros, quando nós temos uma colocação simpática, num qualquer organismo público, imune ao desemprego e salvaguardado por uma qualquer lealdade partidária.

O terceiro senhor, o que dúvida da existência de PIB’s, dividas públicas e afins, mas que se calhar acredita que o Elvis afinal está vivo, foi candidato a uma junta de freguesia.
Se tivesse ganho, teria decidido acerca do futuro da sua junta, numa base de que os recursos não são escassos.
Seriam ilimitados, viriam de algures e seriam pagos por alguém.
Ora, agora que lidamos com aumentos de impostos e com redução de salários na função pública (a que se seguirão os do sector privado, que já sente o desemprego, não duvidem), vemos que tipo de pessoas, tem gasto o orçamento geral do estado. De tal forma que agora temos que pagar desta maneira.

Como já disse, gente que pensa que o dinheiro é ilimitado, que vem não sabe de onde e que alguém pagará o que gastou, mas não sabe bem quem.

E assim, concluindo, pergunto:
1. Estas pessoas têm empatia ou sensibilidade com o povo?

2. Têm competência para decidir, sobre o futuro do povo?

E já agora, pergunto também:

• É de nos admirar, o termos chegado ao estado a que chegámos, tendo em conta esta gente, que tem decidido por nós?
• E não gostávamos de ver estas pessoas, a trabalhar e não encostados a uma qualquer colocação de “confiança politica”, e ver como é que se saiam neste nosso mundo real?

Ficam estas perguntas.
Cumprimentos e bem hajam.

domingo, 3 de outubro de 2010

Medina Carreira - A Grande Porca

Não é exclusivamente acerca de Portimão, mas também se aplica.



A grande porca;
A galinha choca;
O grande papagaio.

Não os temos também por cá, no nosso burgo?
Rafael Bordalo Pinheiro, não teria também algo a dizer acerca, desta nossa Vila Nova de Portimão?

E se, por um instante, quem ver isto (só por brincadeira e para quem tiver vontade), “encarna-se” o espírito de Rafael Bordalo Pinheiro, o que se lhe oferecia a dizer?

E já agora e mais a sério, sob o espírito de um Fontes Pereira de Melo (referenciado por Medina Carreira), o que nos ocorre dizer?

Saudações